Experiência e idolatria salva uma equipe do rebaixamento?

0
27

*Fábio Augusto

Na última terça feira (25 de julho), o São Paulo apresentou o meio campista Hernanes, o jogador retorna ao futebol brasileiro após quase oito anos, sendo sete atuando no futebol italiano, com passagens pela Lazio, Internazionale e Juventus. No último semestre esteve na China, defendendo as cores do Heibei China Fortune, marcando apenas um gol nesse período.

No tricolor do Morumbi,  o Profeta, como o jogador ficou conhecido após as declarações em entrevistas, chega com um status de grande jogador mundial, ídolo e com a missão de tirar o time da incomoda situação no Campeonato Brasileiro onde a equipe é a décima oitava colocada com apenas 16 pontos e evitar o primeiro rebaixamento na história do clube.

Porém, essa tática de ter ídolo e grande jogador no elenco não é sinônimo de bom resultado e garantia de permanência na Série A.

Nos últimos quinze campeonatos brasileiro, em dez edições tivemos os chamados times grandes (Palmeiras, Botafogo-RJ, Grêmio, Atlético Mineiro, Corinthians, Vasco da Gama e Internacional) do Brasil rebaixados e em sete oportunidades os elencos contavam com jogadores experientes ou grandes ídolos de suas torcidas.

Palmeiras e Botafogo-RJ, foram os primeiros grandes rebaixados em 2002. O Verdão contava com o lateral direito Arce, 31 anos, campeão da Copa do Brasil em 98 e Libertadores em 99, o meio campo era comandado pelo experiente Zinho, na época com 35 anos e um currículo de bicampeão brasileiro e paulista em 93 e 94, além da taça libertadores de 1999, mas ambos foram incapazes de evitar o primeiro rebaixamento da história do clube ao terminar o campeonato na 24° posição com 33 pontos, seis vitórias, nove empates e dez derrotas.

A lanterna da competição ficou com o Botafogo-RJ, que era defendido pelo arqueiro Carlos Germano, 38 anos, campeão brasileiro, Libertadores e carioca pelo Vasco da Gama. No banco de reservas, o comandante era o Carlos Alberto Torres, o capitão brasileiro na conquista do tricampeonato mundial em 1970. O Capita, defendeu o clube como jogador por apenas três meses, já como treinador foi campeão da Taça Conmebol em 93, mas também entrou para a história por ser o comandante do rebaixamento.

Três temporadas depois em 2005, o Atlético Mineiro, não conseguiu escapar ao terminar o campeonato na 20° colocação com 42 pontos e 21 derrotas. No elenco, peças importantes como o goleiro Danrlei, 32 anos, multicampeão pelo Grêmio. Euller, 34 anos, campeão mineiro pelo clube em 1995, Campeão Brasileiro pelo Vasco e Libertadores pelo Palmeiras. O grande ídolo era o atacante Marques, 32 anos, nono maior artilheiro da história do Galo, campeão estadual por três oportunidades e peça chave no vice campeonato  em 1999.

Vampeta, 33 anos, já possuía em sua galeria de troféus, o Bi Brasileiro de 98 e 99, o Mundial de 00 e a Copa do Brasil em 02 pelo Corinthians, com a seleção conquistou o pentacampeonato em 2002, mas essa experiência no futebol e a idolatria da Fiel Torcida não foi capaz de evitar a 17° colocação com apenas dez vitórias o vexame do rebaixamento do Corinthians em 2007.

No ano seguinte em 2008 foi a vez do Vasco da Gama, ser rebaixado ao fazer apenas 35 pontos e terminar na 18° colocação. Com 37 anos e em fase final de carreira Edmundo, campeão brasileiro em 97 e grande ídolo dos vascaínos era o grande nome do time ao lado do zagueiro Odvan, 34 anos e Campeão da Libertadores em 98. Apesar das glórias com a camisa cruzmaltina os dois fizeram parte do primeiro dos três rebaixamentos da equipe carioca.

Após dez anos da primeira queda, o Palmeiras conheceu novamente o amargo gosto de ser rebaixado para a segunda divisão ao terminar na 18° colocação e com 22 derrotas, o maior número no campeonato.  Felipão foi o treinador na campanha do título da Copa do Brasil e também em grande parte do campeonato nacional. Vivendo uma história de amor e ódio com a torcida, o chileno Valdívia nas poucas partidas que atuou devido as lesões, também tem essa mancha (sem qualquer comparação com a torcida), na carreira.

Por último o Internacional na temporada passada mesmo contando com Ceará de 36 anos e Alex de 34 anos, ambos com experiência na Europa e presentes na conquista da Libertadores e Mundial em 2006, não consegui se safar da 17° colocação com 38 pontos e da queda para a Série B.

O atual elenco do São Paulo, além do recém contratado Hernanes, já com 32 anos, conta também com Lugano, o uruguaio que pouco foi utilizado na temporada, mas mesmo assim é venerado pela torcida e está com 36 anos. Rogério Ceni, ainda inexperiente na carreira de treinador foi o comandante por 11 rodadas, sendo demitido quando a equipe figurou pela primeira vez na zona de rebaixamento. Três nomes que representam a gloriosa história recente do tricolor.

O diretoria, comissão técnica e jogadores do São Paulo, tem que tomar cuidado para não repetir o que vem se tornando uma prática comum. Recorrer a jogadores experientes ou ídolos da torcida para se livrar da degola e mesmo assim acabar amargando a queda para a Série B.

*Repórter esportivo da Equipe Gol de Placa, Nova Estação

Comente