Domingo, 14 Agosto 2016 18:59

Mo Farah: da queda ao bi olímpico nos 10.000m em 27 minutos

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bsbsbs"Quando eu caí, pensei: ‘Não entre em pânico’. E quando me recuperei ainda faltavam muitas voltas. Tentei manter meu ritmo, não me desesperar e chegar ao fim. Mas eu estava pensando: 'Será que a corrida acabou?'.

Com várias disputas ao mesmo tempo, a torcida brasileira não sabia muito bem para quem torcer na noite deste sábado (14.08), no Estádio Olímpico, o Engenhão, palco do atletismo nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Havia os atletas brasileiros, claro, que foram muito incentivados a cada prova. Mas nas competições sem representantes nacionais, um detalhe ou um lance do acaso bastava para garantir a simpatia das arquibancadas.

A holandesa Dafne Schippers, na final dos 100m, conquistou a ala masculina com sua beleza. Shelly-Ann Fraser-Pryce, ouro em Londres na mesma prova, disse que os cabelos pintados de verde e amarelo eram uma homenagem ao seu país natal, a Jamaica, mas acabou ganhando também a torcida brasileira. Já o britânico Mohamed Farah, que defendia o título olímpico nos 10.000m, arrebatou os torcedores com uma incrível prova de recuperação.

O corredor tropeçou na metade da prova, caiu e perdeu várias posições. Apreensivos, os torcedores passaram a acompanhar com carinho o britânico. Ele não apenas se levantou e continuou a correr, como voltou ao pelotão de líderes e, nos 800 metros finais, assumiu a ponta. O queniano Paul Tanui ainda conseguiu ultrapassá-lo, mas a noite era mesmo de Mo, como é conhecido, que num esforço final passou seu concorrente e cruzou a linha de chegada sob aplausos estrondosos.

Exausto, Mo desabou, ajoelhou-se, deu um beijo na pista, fez um coração com os braços, foi até a arquibancada, beijou sua esposa, pegou uma bandeira britânica e deu a volta olímpica sob palmas. Um momento mágico no Engenhão. O tempo de 27m05s17 garantiu o bicampeonato olímpico para Farah. O queniano Paul Kipngetich Tanui, com 27m05s64, ficou em segundo. E o etíope Tamirat Tola, que marcou 27m06s26, levou o bronze.

"Quando eu caí, pensei: ‘Não entre em pânico’. E quando me recuperei ainda faltavam muitas voltas. Tentei manter meu ritmo, não me desesperar e chegar ao fim. Mas eu estava pensando: 'Será que a corrida acabou?'. Falei para mim mesmo: 'Não, eu trabalhei duro para isso e prometi para minha filha que eu ia ganhar uma medalha e não queria desapontá-la'. Se eu tivesse caído faltando cinco ou seis voltas, teria perdido. Então tive sorte que a queda não foi mais para o fim da prova”, contou.

O feito de Mo Farah inspirou não só a torcida, mas também seus próprios adversários. “É óbvio que ele está liderando o mundo. Então vamos seguir seus passos e tentar alcançá-lo”, disse o queniano Paul Tanui.

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