Entrevista com Veronica Hipolito, atleta paralímpica

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Veronica Hipolito, ouro e prata, no Mundial de Lyon (2013), prata e bronze, no Parapan-Americano do Rio (2017) e dona de uma série de recordes, vive a expectativa de estar com a Seleção Brasileira de Atletismo no Jogos Parapan-Americano de Lima, no Peru em julho 2019.

“Se estarei na lista de convocados para o Parapan não sei, espero que eu esteja, mas o contrário não será motivo para desanimar e vou seguir trabalhando mais e mais. Porque a vida não acaba aqui. Eu tenho muita coisa para fazer, muitas pessoas que seguir inspirando, muitas medalhas eu quero ganhar por nós e não é pela Veronica é pela minha família e muitas garotas no país que não tem referência”, completou.

“Meu tempo hoje comparado com antes das cirurgias está acima, até caí de classe. Eu tive um AVC e essas cirurgias não foram simples, voltei rápido por conta do meu esforço eu sei o quanto chorei, as minhas dúvidas e o quanto me senti mal, mas o importante que voltei. O ponto é… Meu físico piorou por conta disso, a minha limitação piorou por conta disso, mas todo dia busco melhorar”. Entretanto, comecei o ano com tempo de 15s24, na segunda competição 14s20, claro que se eu tirar um segundo por competição o Bolt que se cuide”, falou aos risos Veronica Hipólito.

Durante o bate-papo, de forma exclusiva, Veronica Hipólito explica como foi a preparação desse ciclo paralímpico.

“Minha preparação não foi tão grande devido duas cirurgias consecutivas realizadas em 2017 e 2018. Na verdade toda minha preparação durante dois ciclos, não foi bem, estávamos fazendo com o que dava. Em 2018 eu novamente tive que operar a cabeça e foi a mais difícil de todas, por conta de várias outras complicações. Mas, o ponto é como eu disse. Eu sempre volto para correr”, resumiu Verônica Hipolito.

Um pouco mais da história de Verônica Hipólito

“2013 foi meu ano início no paraolímpico e até 2017 eu ficava com remédio muito forte para evitar que o tumor crescesse. Em 2015 véspera de Parapan e Mundial já convocada descobri mais de 200 tumores na barriga (no intestino grosso) e tive que retirar 90% e por isso abri mão do Mundial e fui para o Parapan com muita dificuldade com falta de ferro e estava mais fraquinha”.

“Para evitar a volta do tumor no cérebro usei remédios que eram bem fortes e causavam enjoos, mas estive nos Jogos Paralímpicos de Verão de 2016, no Rio de Janeiro, onde conquistei uma medalha de prata e outra de bronze. Mas, depois descobri que os medicamento não estavam fazendo efeito e mais uma cirurgia precisou ser feita”.

Representatividade

Tivemos agora no futebol, a Formiga, a Marta e Cristiane que tiveram muita visibilidade, no atletismo paralímpico tem a Adria Santos então eu quero ganhar por nós, para continuarmos sonhando juntas.

Ainda vivemos em uma sociedade machista e patriarcal, por isso, que o feminismo existe. Feminismo não é algo que quer que os homens morram, que ganhem menos direitos que as mulheres, o feminismo quer simplesmente que tenham condições igualitárias no masculino e feminino.

Feminismo é diferente de machismo. Machismo, o contrário é Femismo que me desculpe nunca vi uma mulher enfiando dedo na cara de um homem e perguntando porque ele está sem camiseta na praia, porque o macaquinho dele estava tão colado em uma competição.

Que possamos competir sem reparar se o maiô de uma menina está tão colado ou não, sem reparar se meu shorts está muito curto, sem reparar o top, maquiagem, se o cabelo está com fio para fora ou não. Que repare em nossos resultados que a gente tem e muito.

Quando o assunto é a diferença de gênero…

Diminuiu muito isso, ponto, mas não acabou. Se tivesse acabado não teria empresas falando que pode engravidar e isso inviabiliza a contratação.

Não teria repórter renomado ao invés de perguntar sobre nossos tempos, nossas marcas, nossas performance, e desempenho que é muito acima da média. Perguntou se nossos namorados, maridos aprovam o shorts que estamos usando.

Pra mim isso não tem nada a ver, não é minha roupa que me faz correr, o que me faz correr é tudo que faço na pista, assim como, o que faz a Dayanne nadar é o que ela faz na piscina, assim como o que faz a Val (Valéria Kumizaki – Karate) é tudo que ela treinou sete dias por semana,  abrindo mão de muitas coisas.

Então que comecem a perceber que, existe o homem mais rápido do mundo que é o Bolt, mas existe a mulher mais rápida que é a Thompson. Existe o melhor jogador do mundo, mas também existe a melhor jogadora do mundo, o melhor nadador e a melhor nadadora e por aí vai…

Recordes e conquistas

Recordes das Américas

Classe T38

100m: 0:12s84 – 08/09/2017 – Rio de Janeiro
200m: 0:27.49 – 22/07/2013 – Lyon
400m: 1:03.14 – 14/09/2016 – Rio de Janeiro

Recordes Brasileiros

Classe T38
100m: 0:12s84 – 08/09/2017 – Rio de Janeiro
200m: 0:27.49 – 22/07/2013 – Lyon
400m: 1:03.14 – 14/09/2016 – Rio de Janeiro

Classe T37

100m: 14s35 – 16/06/2019 – São Paulo
S. Distancia: 3,41m – 16/06/2019 – São Paulo

Jogos paraolímpicos – Medalhas

Prata – Lima 2019
Prata – Rio 2016 – 100m T38
Bronze – Rio 2016 – 400m T38

Campeonatos Mundiais

Ouro – Lyon 2013 – 200 m (T38)
Prata – Lyon 2013 – 200 m (T38)

Verônica Hipolito faz parte do Time Ajinomoto

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